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"O workshop AI4YouthWork serviu como um poderoso lembrete de que a preparação para um futuro alimentado por IA não é apenas um desafio técnico; é um desafio profundamente humano” | Por Penélope Gonçalves e Vanessa Nascimento
Quando crescemos nos anos 80 e 90, a nossa primeira experiência com “inteligência artificial” não veio de um computador, mas sim de um ecrã. Lembramo-nos de ver “O Exterminador Implacável” com primos mais velhos, com os olhos arregalados enquanto o assassino cibernético de Arnold Schwarzenegger atravessava calmamente o fogo, quase imparável, inteligente e aterrador. Mais tarde, “The Matrix” transformou as nossas mentes adolescentes. As máquinas tinham tomado o controlo, ligado os humanos a uma simulação e a única saída era “acordar”. Estas histórias não eram apenas ficção científica; eram avisos. Pelo menos, foi assim que muitos de nós as vimos.
Hoje em dia, a IA está em todo o lado, não da forma apocalíptica que temíamos, mas discretamente incorporada nos nossos telefones, nas nossas redes sociais, nos nossos locais de trabalho. Agora trabalhamos com ela e vemos como o mundo é diferente para as próximas gerações, com a Geração Z já integrada no mercado de trabalho. Para os jovens de hoje, a IA não é assustadora, faz parte do seu quotidiano. Eles cresceram com assistentes inteligentes, algoritmos do TikTok e tudo o que consomem é personalizado. Enquanto nós ainda nos estamos a adaptar à utilização da Inteligência Artificial, eles já se movem nela como um peixe dentro de água.
Esta divisão geracional na forma como nos relacionamos com a tecnologia é fascinante e, por vezes, um pouco frustrante. Para muitos de nós, ainda existe uma desconfiança persistente em relação à IA, moldada por décadas de filmes distópicos e notícias sobre o ‘dia do juízo final’. Vemos frequentemente a IA como algo externo a nós, algo que precisa de ser gerido ou mesmo combatido, mas acima de tudo regulado eticamente para garantir o alcance e os limites da sua utilização. Para as gerações mais jovens, a IA é apenas mais uma ferramenta, como uma calculadora ou a própria Internet.
O nosso papel é orientar, apoiar e desenvolver os jovens. Mas como é que o podemos fazer eficazmente se estamos a falar linguagens tecnológicas diferentes? Ao mesmo tempo, começámos a perceber que aqueles filmes antigos ainda têm algo a ensinar-nos. ‘The Matrix’, ‘Her’, ‘Ex Machina’ não eram apenas sobre máquinas a assumir o controlo. Eram sobre o que significa ser humano num mundo de mentes artificiais. Trata-se de empatia, ligação e confiança. A IA não vai substituir isso, mas talvez nos possa ajudar a fazê-lo melhor, se o permitirmos.
Temos de encontrar um equilíbrio entre gerações, entre cautela e curiosidade, entre a humanidade do nosso trabalho e a tecnologia do nosso tempo. Quer seja um nativo ou imigrante do mundo digital, o futuro está aqui. E precisamos de o discutir!
No dia 2 de abril de 2025, deu-se mais um passo nesta discussão crítica: O workshop AI4YouthWork, um evento inovador que viu uma convergência única entre a comunidade tecnológica e os assistentes sociais, de várias origens.
Organizado pela Contextos, como parte do projeto AI4YouthWork cofinanciado pelo Erasmus+, e realizado no UALG TEC Campus em colaboração com o Algarve STP, o workshop teve como objetivo criar literacia em IA e a utilização responsável da IA entre os jovens. Começou com um envolvente “bingo humano”, um quebra-gelo criativo que rapidamente dissolveu quaisquer barreiras iniciais entre os diversos participantes, preparando o terreno para a resolução colaborativa de problemas.
Um dos pontos centrais do workshop foi o Quadro de Competências de IA para Trabalhadores da Juventude, uma iniciativa inovadora concebida para equipar os que estão na linha da frente do desenvolvimento da juventude com as competências necessárias para navegar no panorama da IA. Este quadro descreve as competências digitais, éticas e pedagógicas essenciais necessárias para orientar os jovens (indicados pelos estudos como os principais utilizadores da IA) através das complexidades e possibilidades das novas tecnologias. O projeto tem também um catálogo digital abrangente de experiências de aprendizagem eletrónica em 48 Recursos de Aprendizagem Abertos (Open Educational Resources) em 5 línguas, e um conjunto de ferramentas de formação em IA que inclui ferramentas de IA fiáveis e planos de workshops práticos.
Estamos preparados para o mercado de trabalho movido a IA?
No âmbito do workshop, os participantes foram divididos em diversos grupos para responder a questões prementes sobre o impacto social da IA. O nosso grupo, composto por indivíduos dos sectores da tecnologia e da assistência social, decidiu enfrentar um dos desafios: “Estamos preparados para o mercado de trabalho movido a IA? Como é que nos podemos preparar para a transformação que se aproxima?”
Ao longo de duas horas intensas, as nossas discussões resultaram em várias soluções possíveis, diretamente alinhadas com os objetivos mais amplos da iniciativa AI4YouthWork:
O workshop AI4YouthWork serviu como um poderoso lembrete de que a preparação para um futuro alimentado por IA não é apenas um desafio técnico; é um desafio profundamente humano. Ao reunir diversas perspectivas e um ambiente colaborativo de resolução de problemas, iniciativas como a AI4YouthWork estão a preparar o caminho para uma geração que não é apenas tecnologicamente experiente, mas também eticamente responsável no seu envolvimento com a IA.
Para mais informações sobre o AI4YouthWork projeto e seus recursos, visitar: https://www.ai4youthwork.eu/pt/
Sobre as autoras do artigo:
Penélope Gonçalves é co-fundadora da Local Foundation, uma plataforma dedicada à promoção de comunidades fortes e vibrantes, e também trabalha como tech lead na Contentserv, onde impulsiona a inovação no mercado PIM. Uma ávida construtora de comunidades na cena tecnológica do Algarve, a colaboração e o networking através das Geek Sessions Faro.
Tendo treinado em várias cidades de Portugal e viajado por vários países, Penélope aprendeu rapidamente que as pessoas são mais interessantes quando estão a pôr as mãos na massa para resolver problemas e encontrar soluções de uma forma colaborativa. Já especificações e dinamizou eventos como Geek Sessions, Geek Girls Portugal, Agile Connect, Techstars Startup Weekends e outros hackathons como Impact Hackers e Shift Faro.”
Vanessa Nascimento é Head de Produto da InvoiceXpress. É também cofundadora da Local Foundation e da Mezzegra Green Energy, e colabora ativamente com as comunidades GeekSessions Faro, LOLT e Geek Girls. É certificada como Scrum Master, Product Owner, Kanban System Designer e Agile Leader, tendo uma vasta experiência em Gestão de Projetos com recurso a metodologias Agile.
Desempenhou as funções de Vice-Presidente na Algarve Evolution e foi co-fundadora do Algarve TechHub. Além disso, foi Prime Consultant na Devoteam Portugal e Scrum Master na Digital Global Unit da EDP. Vanessa é uma formadora apaixonada, comprometida com a partilha de conhecimento e competências com profissionais em ascensão, com o objetivo de contribuições para a inovação, promover o crescimento e gerar um impacto significativo no ecossistema tecnológico do Algarve.
Ligações úteis:
As autoras do artigo:
English version
Bridging Worlds: Tech and Youth Work united to shape our AI future gather in Faro
Growing up in the 80’s and 90’s, our first real experience of “artificial intelligence” didn’t come from a computer, it came from a screen. We remember watching “The Terminator” with older cousins, eyes wide as Arnold Schwarzenegger’s cybernetic assassin calmly stepped through fire, nearly unstoppable, intelligent, and terrifying. Later, “The Matrix” blew our teenage minds. Machines had taken over, plugged humans into a simulation, and the only way out was to “wake up.” These stories weren’t just science fiction; they were warnings. At least, that’s how many of us saw them.
Fast forward to today, and AI is everywhere, not in the apocalyptic way we once feared, but quietly embedded in our phones, our social media, our workplaces. We now work with it and see just how different the world is for the next generations, Gen Z already integrating the workforce. For young people today, AI isn’t scary, it's a part of their day to day. They’ve grown up with smart assistants, TikTok algorithms, and personalized everything. While we are still catching up, they're already swimming in it.
This generational divide in how we relate to Technology is fascinating and, at times, a little frustrating. For many of us there's still a lingering suspicion of AI, shaped by decades of dystopian films and doomsday headlines. We often see AI as something external to us, something that needs to be managed or even resisted, but above all ethically regulated to guarantee the scope and limitations of its use. For the younger generations, AI is just another tool, like a calculator, or the internet itself.
Our role is to guide, support, and develop young people. But how can we do that effectively if we're speaking different technological languages? At the same time, we started to realize that those old movies still have something to teach us. “The Matrix”, “Her”, “Ex Machina”, they weren’t just about machines taking over. They were about what it means to be human in a world of artificial minds. It’s about empathy, connection, and trust. AI won’t replace that but maybe it can help us do it better, if we let it.
We need to find a balance between generations, between caution and curiosity, between the humanity of our work and the technology of our time. Whether you’re a digital native or a digital immigrant, the future is here. And we need to discuss it!
On April 2nd, 2025, another step in this critical discussion happened: AI4YouthWork workshop, a groundbreaking event that saw a unique convergence of the tech community and social workers, from various backgrounds.
Hosted by Contextos, as part of the Erasmus+ co-funded AI4YouthWork project, and held at the UALG TEC Campus in collaboration with Algarve STP, the workshop aimed to create AI literacy and responsible AI usage among young people. It began with an engaging "human bingo," a creative icebreaker that quickly dissolved any initial barriers between the diverse attendees, setting the stage for collaborative problem-solving.
A central focus of the workshop was the AI Competence Framework for Youth Workers, a groundbreaking initiative designed to equip those on the frontline of youth development with the skills needed to navigate the AI landscape. This framework outlines the essential digital, ethical, and pedagogical competencies required to guide young people (indicated by studies as the primary users of AI) through the complexities and possibilities of new technologies. The project also has a comprehensive Digital Catalogue with 48 Open Education Resources in 5 languages, and an AI Training Toolkit featuring trustworthy AI tools and practical workshop plans.
Are we ready for the AI-Powered job market?
As part of the workshop, participants were divided into diverse groups to tackle pressing questions about AI's societal impact. Our group, composed of individuals from both the tech and social work sectors, decided to tackle one of the challenges: "Are we ready for the AI-powered job market? How can we prepare for the coming transformation?" Over two intense hours, our discussions resulted into several possible solutions, directly aligning with the broader goals of the AI4YouthWork initiative:
The AI4YouthWork workshop served as a powerful reminder that preparing for an AI-powered future isn't solely a technical challenge; it's a deeply human one. By bringing together diverse perspectives and a collaborative problem-solving environment, initiatives like AI4YouthWork are paving the way for a generation that is not only technologically savvy but also ethically responsible in its engagement with AI.
For more information on the AI4YouthWork project and its resources, visit https://www.ai4youthwork.eu/en/
About the authors of the article:
Penélope Gonçalves is a co-founder of local.foundation, a platform dedicated to fostering strong and vibrant communities, and also works as a technical & team lead in Contentserv where she drives innovation in the PIM market. An avid community builder in Algarve's tech scene, she embraces collaboration and networking through Geek Sessions Faro.
Having studied in several cities in Portugal, and traveled some, Penélope quickly learned that people are the most interesting when they’re getting their hands dirty to solve problems and find solutions in a collaborative way. She has organised and facilitated events from Geek Sessions, Geek Girls Portugal, Agile Connect, Techstars Startup Weekends and other hackathons like Shift Faro or Impact Hackers.
Vanessa Nascimento is Head of Product of InvoiceXpress. Also Co-Founder of Local Foundation and Mezzegra Green Energy and collaborates closely with GeekSeesions Faro, LOLT and Geek Girls Communities. She's a certified Scrum Master, Product Owner, Kanban System Designer, and Agile Leader, Vanessa has extensive expertise in Project Management using Agile methodologies.
She held the positions of Vice-President at Algarve Evolution and co-founder of Algarve TechHub. Additionally, she served as Prime Consultant at Devoteam Portugal and Scrum Master at Digital Global Unit, EDP. Vanessa is a passionate trainer committed to sharing knowledge and skills with aspiring professionals, aiming to drive innovation, foster growth, and make a meaningful impact in the technology ecosystem of Algarve.
Evento LISTEN | WE LISTEN, WE BUILD
📅 25 de junho de 2025 | 🕑 13h00 – 14h30
📍 Online via Zoom | Com interpretação simultânea em português, grego, italiano e búlgaro
Temos o prazer de convidar profissionais da sociedade civil, agentes comunitários, investigadores e representantes locais a participar num momento-chave do projeto LISTEN – Aprendizagem e Inclusão para o Envolvimento Comunitário Sustentável.
Este evento online irá apresentar os principais resultados nacionais da investigação sobre participação cívica e envolvimento comunitário realizada em Portugal, Itália, Grécia e Bulgária. Através de sessões plenárias e grupos de discussão multilíngues, vamos explorar boas práticas, necessidades identificadas e estratégias co-construídas para apoiar comunidades vulneráveis e sub-representadas.
🔗 Inscreve-te agora. Clica aqui para te registares.
Junta-te a nós e contribui para a construção de um espaço cívico mais inclusivo e participativo em toda a Europa.
O projeto europeu LISTEN – Learning and Inclusion for Sustainable Community Engagement (2024–2026) está a marcar presença em Portugal com um forte foco na promoção da participação cívica inclusiva e no combate às desigualdades sociais através de abordagens participativas e ascendentes. Com atuação em quatro países - Portugal, Grécia, Bulgária e Itália - o projeto apoia organizações da sociedade civil de base na capacitação de comunidades marginalizadas e na promoção de mudanças sustentáveis lideradas pelas próprias comunidades.
No contexto nacional, acaba de ser publicado o relatório D5.1 – Avaliação participativa da capacidade de envolvimento cívico das organizações locais no Algarve, que analisa como organizações de base, em particular as que integram a RedeMOVE, constroem parcerias e mobilizam recursos para combater a exclusão social.
Com base em entrevistas e grupos focais realizados na região, o relatório evidencia pontos fortes como a confiança comunitária, o financiamento híbrido e as abordagens colaborativas, mas também aponta desafios significativos. Entre eles destacam-se a fragilidade financeira, as limitações na capacidade de alcance e barreiras estruturais que dificultam uma atuação mais ampla e eficaz.
As recomendações do relatório são claras: financiamento de base contínuo, criação de espaços multifuncionais para a juventude e estratégias de comunicação inovadoras com recurso à inteligência artificial são essenciais para transformar esforços isolados num ecossistema cívico coeso e resiliente.
Este relatório é mais um passo no compromisso do projeto LISTEN em apoiar uma cidadania ativa e inclusiva, especialmente junto das comunidades mais vulneráveis.
O relatório completo está disponível para consulta aqui.
Entre os dias 5 e 8 de junho de 2025, participámos no Festival em Villa Greppi - uma celebração da identidade, cultura e criatividade europeias. Juntamente com talentosos artistas de Portugal, Grécia e Itália, refletimos sobre o que significa ser europeu hoje, através da música, dança, cinema, palestras e outras formas de expressão artística.
Tivemos o orgulho de apresentar quatro participantes de Portugal:
🎹 Isaac e 💃 Priscila, que criaram uma performance sobre a história da Europa contada através da música e da dança;
🎥 Pedro Miguel Marcelino, com o seu filme europ\_eus, uma reflexão visual sobre identidade, migração e pertença;
🗣️ Viriato Villas-Boas, com a palestra "From the Agora to the Skateboarding Plaza", onde explorou o papel do espaço público e da cultura urbana na ligação entre os europeus ao longo do tempo.
Durante a estadia, visitámos também Dongo, na região do Lago de Como, onde explorámos o Museo della Fine della Guerra - um espaço que preserva a memória da queda do fascismo em Itália e nos convida a refletir sobre o valor da democracia e da liberdade na construção da identidade europeia.
Foi uma experiência verdadeiramente enriquecedora - repleta de novas amizades, partilhas criativas e momentos que nos aproximam enquanto europeus. Aqui ficam alguns registos desses dias inesquecíveis em Itália! 📸✨
🙏 Um enorme agradecimento ao Consorzio Brianteo Villa Greppi pela calorosa recepção, excelente organização e dedicação à promoção da cultura e do diálogo europeu.
📸 Créditos fotográficos: Pedro Miguel Marcelino
Entre 8 e 12 de maio, estivemos em Kaunas, na Lituânia, a participar no curso de formação do projeto internacional The Octopus.
The Octopus’ Project - Ensuring a Space Suitable for Neurodiverse People é um projeto confinanciado pelo programa Erasmus+ coordenado pela CAAT Project (Países Baixos), da qual a Contextos é parceira. Decorre até 2026 e visa apoiar a criação de ambientes de aprendizagem inclusivos para todos em respeito pela neurodiversidade.
A formação reuniu participantes das 4 organizações europeias que formam o consórcio deste projeto: CAAT Projects - Países Baixos (coordenação), Contextos - Portugal, AddArt - Grécia e Anthropos - Lituânia. Foram 5 dias de trabalho, reflexão e experimentação onde partilhámos, discutimos e cruzámos os resultados da fase de pesquisa com especial foco nas entrevistas realizadas em cada país, e onde planeamos as fases seguintes do projeto.
Com base nas conclusões preliminares e boas práticas identificadas, durante os próximos meses estaremos a trabalhar na elaboração dum toolkit que apresentará conceitos e práticas recomendadas para a criação de ambientes de aprendizagem inclusivos!
Desenvolveremos também vídeos de animação e um jogo de tabuleiro! Acompanhem-nos!
🙏🏼 A Contextos reforça o seu agradecimento a todas as pessoas que participaram nas entrevistas - jovens e adultos neurodivergentes, ativistas, técnicos e profissionais da área, formadores/educadores e outros intervenientes na área da educação!
Muito obrigado👏

